Caso Isabella Nardoni: tudo o que a justiça tentou esconder sobre a morte de Isabella



A assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou na tarde desta segunda-feira (7) que foi suspenso o sigilo do inquérito policial que investiga a morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos.
O juiz Mauricio Fossen, do 2º Tribunal do Júri, que é responsável pelo caso, decidiu suspender o sigilo no inquérito policial, que havia sido determinado na quarta-feira (2). Também na quarta foi feito o decreto da prisão temporária de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

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Ele justificou a decisão afirmando que “o comportamento adotado pelo Ministério Público na sexta-feira (4), demonstrou que o sigilo das informações referentes ao inquérito policial não constitui formalidade imprescindível para o bom desenvolvimento das investigações”. O juiz completa informando que “as informações que estavam sob sigilo foram divulgadas abertamente à imprensa”.

Carta

Nesta segunda, o casal Alexandre e Anna Carolina completaram quatro dias separados, cada um em uma delegacia. A única forma de comunicação do casal foi uma carta de Alexandre para Anna Carolina, levada por um dos defensores.

Também nesta segunda, eles podem ter a primeira chance de se reencontrarem. A defesa do casal vai ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) com um pedido de habeas corpus que, se for concedido, dará ao pai e a madrasta da menina Isabella Nardoni o direito de responder o inquérito em liberdade.

Os argumentos da defesa do casal são que eles não possuem antecedentes criminais, que moram em endereço fixo e que não atrapalharam as investigações. “Não existe nada que justificasse a decretação da prisão temporária”, afirma o advogado do casal Marco Polo Levorin.

No fim de semana, a Justiça concedeu a quebra de sigilo telefônico dos dois. Agora, a polícia poderá saber com quem eles falaram antes e depois que Isabella caiu do 6º andar do prédio.

Os policiais já estabeleceram um período para verificar as chamadas dos telefones celulares do casal: será das 18h30 do dia 29 de março – quando Alexandre Nardoni, Anna Carolina Jatobá e as três crianças saíram de um supermercado em Guarulhos, na Grande São Paulo – até a madrugada do dia seguinte, quando eles já sabiam que Isabella estava morta.

No instituto de criminalística, peritos começaram nesta segunda-feira a tirar o DNA do sangue, encontrado no lençol, na tela de proteção e no chão do

apartamento. A comparação será feita com uma amostra de sangue de Isabella.

A perícia aguarda a chegada de mais um material para a investigação, os sapatos de Anna Carolina Jatobá e de Alexandre Nardoni. Os calçados serão comparados com uma pegada encontrada no lençol da cama da menina.

“Nós esperamos, dentro do tempo que os peritos necessitam, a apresentação do laudo do IML, que é bastante importante. Será o laudo do local do fato, mais a dos objetos recolhidos, eventuais perícias do sangue, DNA, tudo isso será analisado, em confronto com as demais provas”, completa o promotor Francisco Cembranelli.

Perícia

Alguns exames da perícia no caso Isabella devem ficar prontos nesta semana. As roupas que o pai de Isabella usava na noite em que a menina foi encontrada morta estão passando por perícia, assim como as roupas encontradas no apartamento vizinho, da irmã de Alexandre Nardoni.

Esta semana devem ficar prontos os exames de DNA das amostras de sangue que foram encontradas no apartamento do casal.

Imagens do circuito interno de um supermercado em Guarulhos, na Grande São Paulo, onde a garota Isabella Nardoni, de 5 anos, esteve com sua família horas antes de morrer, em 29 de março, foram divulgadas nesta terça-feira (8). O vídeo mostra a menina, seus dois irmãos menores, seu pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá.

Imagens do circuito interno de um supermercado em Guarulhos, na Grande São Paulo, onde a garota Isabella Nardoni, de 5 anos, esteve com sua família horas antes de morrer, em 29 de março, foram divulgadas nesta terça-feira (8). O vídeo mostra a menina, seus dois irmãos menores, seu pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá.

Vídeo mostra pai de Isabella com roupas parecidas antes e depois de morte

Família esteve em supermercado em Guarulhos no dia em que a menina morreu. Isabella Nardoni foi jogada do sexto andar do apartamento onde seu pai morava.

A roupa que o pai da garota veste, uma camiseta branca e uma bermuda, na imagem do circuito interno do supermercado, no começo da noite, parece exatamente a mesma que ele estava quando desceu do prédio, depois que a menina foi jogada. A semelhança é evidenciada em imagens feitas no prédio quando Alexandre Nardoni conversava com um Policial Militar que atuou no socorro da menina.

A polícia recolheu roupas encontradas no apartamento da irmã de Alexandre Nardoni, que fica no mesmo andar do prédio, e estava vazio. A idéia era investigar se ele tinha trocado de roupa ou até escondido a que usava no momento em que a menina foi jogada da janela.

A irmã do pai de Isabella diz que a roupa recolhida é do pedreiro que trabalha na reforma do apartamento dela.

Espancamento

Peritos da Polícia Civil concluíram que Isabella foi espancada e asfixiada dentro do apartamento, antes de ser jogada pela janela do sexto andar. Os peritos não encontraram sangue fora do apartamento: as análises apontaram que marcas na porta da residência, na maçaneta e no banco traseiro do carro de Alexandre Nardoni não são de sangue.

As provas períciais, por enquanto, dão as seguintes pistas: o assassino, ainda não identificado, teria agredido e esganado a menina com as mãos dentro do apartamento, antes do último ato de brutalidade.

Na segunda-feira (7), nove dias depois do crime, peritos voltaram ao apartamento. Eles querem esclarecer como e onde o assassino machucou a testa da menina. Essa é uma das dúvidas que cercam a morte, entretanto não foram achadas marcas de sangue em nenhuma quina de móvel dentro da casa.

Na primeira perícia foi encontrado sangue no apartamento. Não se sabe de quem é, mas é certo que havia pingos em vários pontos: no chão do hall de entrada, em frente à porta da cozinha e no corredor que dá acesso aos três quartos. Os peritos observaram que, pelo tipo de mancha, a vítima estava a cerca de um metro do chão.

Para peritos, Isabella foi asfixiada e atirada

Os peritos do IML (Instituto Médico Legal) não têm mais dúvidas: a menina Isabella Nardoni, 5, foi mesmo atirada do apartamento de seu pai, Alexandre Alves Nardoni, 29, na noite de 29 de março. Até ontem, os peritos que analisaram o corpo da criança ainda divergiam sobre ela ter sido arremessada ou deixada no jardim onde seu corpo foi encontrado.

Além de concluir que Isabella foi jogada através de um buraco feito na tela de proteção de um quarto do sexto andar do prédio onde o pai vivia, na zona norte, os peritos também deverão apontar nos laudos sobre o crime que a queda foi determinante para a morte da menina.

Peritos do IML e do IC (Instituto de Criminalística) também confirmaram que, além da queda, a menina foi asfixiada, conforme revelou a Folha, muito provavelmente ainda dentro do apartamento do pai.

Um dos maiores desafios dos peritos do IML em apontar com exatidão a causa predominante da morte da menina é o “lapso de tempo” entre o momento em que ela foi sufocada e a queda no jardim. Tudo foi rápido, segundo os peritos.

Na janela de onde a menina foi jogada, os peritos do IC encontraram ontem marcas possivelmente deixadas pelas mãos de Isabella e que indicam que ela foi jogada de cabeça para baixo, já desacordada (em função da asfixia). Para determinar como exatamente Isabella atingiu o solo do jardim do prédio do pai, o IC examina o afundamento na grama onde ela foi achada.

Os peritos do IC, principalmente os que integram o Núcleo de Física, já descartaram a hipótese de que a queda tenha sido provocada por acidente. No entender dos especialistas, se Isabella tivesse escorregado, é mais provável que caísse perto da base do edifício. Se tivesse pulado, o corpo teria caído a uma distância maior do que a que foi encontrado.

Por causa da queda do sexto andar, Isabella apresentou uma fratura na bacia. A outra ruptura de um osso de seu corpo apareceu no pulso direito, mas, ainda na análise dos peritos, esse ferimento foi causado num possível movimento de defesa, quando ela deve ter sido espancada por quem, instantes depois, a jogou pela janela.

Além da bacia e do pulso direito fraturados, Isabella também apresentava luxação no osso hióide (pequeno e único osso, em forma de ferradura, situado na parte anterior do pescoço, na base da língua), a língua estava para fora da boca quando foi achada no jardim, com as unhas roxas e com manchas no pulmão e no coração, todos esses traumas causados provavelmente pela asfixia.

Um corte de cerca de dois centímetros na testa de Isabella é analisado como o possível causador das manchas de sangue que foram encontradas no apartamento de seu pai. Ontem, os peritos vasculharam o local para descobrir se o ferimento foi causado por um móvel ou não, mas não conseguiram determinar o que causou esse ferimento.

Desde o dia 3, o pai de Isabella, Alexandre Nardoni, e a mulher dele, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, estão presos temporariamente –por 30 dias– como principais investigados pela morte. Ontem, os defensores do casal impetraram um habeas corpus com pedido de liberdade para o casal.

Pegada na cama

Outra importante pista averiguada pela perícia e pela Polícia Civil para tentar determinar quem atirou Isabella do apartamento de seu pai é uma pegada ao lado de um pingo de sangue no lençol da cama do quarto de onde a menina foi atirada. Para os peritos, a pegada indicará quem pisou na cama para chegar à janela e, dali, jogar Isabella no jardim do prédio.

Cerca de 30 pares de sapatos e tênis pertencentes ao pai e à madrasta de Isabella são analisados pelos peritos do caso. A perícia está atrás de possíveis imagens de circuitos de câmeras de locais públicos onde o casal estava horas antes do crime e, com elas, analisará os pares de calçados apreendidos.

O delegado Calixto Calil Filho, 9º DP (Carandiru), afirmou ontem que aguarda os resultados oficiais dos laudos periciais antes de voltar a ouvir o casal. Os laudos também devem ser importantes para a futura realização de uma reconstituição do crime.

No dia 4, o IML pediu mais 15 dias de prazo para concluir as perícias e entregar os laudos sobre a morte de Isabella. São três os exames ainda não concluídos: 1) radiológico; 2) toxicológico do casal e da menina e 3) anatomopatológica (análise microscópica dos órgãos).

Todos esses laudos serão anexados ao laudo necroscópico que irá determinar oficialmente a causa da morte da menina. De acordo com médicos do IML, dez amostras com sangue ou vestígios de sangue foram entregues para análise no IC. O órgão pretende confrontá-las com o sangue colhido de Isabella e do casal para determinar a quem ele pertence.

Investigadores dizem ter ouvido ‘testemunha-chave’

Policiais civis que investigam a morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, em São Paulo, teriam encontrado uma testemunha-chave para solucionar o crime. De acordo com reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, os investigadores ouviram o depoimento dessa pessoa na quarta. A testemunha seria um conhecido de Cristiane Nardoni, tia de Isabella, irmã de Alexandre Nardoni. A fonte ouvida pelos policiais estava com Cristiane na noite do crime, e deu detalhes de um telefonema que a tia de Isabella recebeu antes de deixar, às pressas, um bar da zona norte da capital paulista. A irmã de Alexandre confirmou que foi avisada de que algo grave tinha ocorrido com a sobrinha.

Polícia pede quebra de sigilo telefônico da tia de Isabella

Polícia considera ligação de Cristiane Nardoni ‘especial’.
Irmã de Alexandre disse que não falou nada que prejudique o irmão.

A polícia pediu a quebra do sigilo telefônico da tia da menina Isabella, Cristiane Nardoni, nesta quinta-feira (10). Os investigadores já têm informações sobre as ligações telefônicas que foram realizadas logo após a morte de Isabella, tanto por vizinhos quanto do próprio apartamento de Alexandre Nardoni.
O primeiro telefonema para o serviço de resgate foi às 23h49’59’’ daquele sábado, 29 de março. Era um de um morador do prédio na Zona Norte de São Paulo, que pedia socorro para a menina Isabella. Outras duas ligações se seguiram para os bombeiros. Segundo a polícia, todas de vizinhos.
Ainda segundo a policia, ao mesmo tempo em que os vizinhos pediam ajuda, o telefone fixo do apartamento do casal era usado para duas ligações: uma às 23h50’32’’ para o pai da madrasta de Isabella. Essa ligação durou 32 segundos. A outra, às 23h51’09’’ para o pai de Alexandre, o advogado Antônio Nardoni. Esta última chamada durou 29 segundos.
A polícia tem interesse especial na ligação feita para a irmã de Alexandre Nardoni pouco depois da morte da criança. Cristiane Nardoni conversou por telefone, nesta tarde, com a apresentadora do Jornal Hoje, Sandra Annenberg. Cristiane confirmou que recebeu uma ligação no restaurante. A irmã de Alexandre disse que em nenhum momento falou algo que pudesse ser decisivo pra o esclarecimento do caso ou prejudicasse o irmão.

“Eu estava em um barzinho que tem música ao vivo comemorando o aniversário do meu noivo. Nisso eu recebi um telefonema do meu pai falando alguma coisa a respeito da Isabella. Só que eu não entendi o quê, você pode imaginar, porque com música ao vivo não dá para ouvir direito, quem freqüenta esses lugares sabe como é. Eu fui para o banheiro para retornar a ligação. Cheguei no banheiro, retornei a ligação e não consegui falar com ele porque o celular deu caixa postal”, disse Cristiane.

A irmã de Alexandre Nardoni complementa: “liguei para minha cunhada e ela estava desesperada aos gritos, eu não entendia o que ela dizia exatamente que tinha acontecido com a Isabella”.

Perguntada sobre o que disse exatamente no momento em que recebeu o telefonema, ela respondeu: “imagina, no momento do telefone, primeiro que eu não disse nada, porque eu não entendi. Assim que eu desliguei eu retornei e disse que aconteceu alguma coisa com a Isabella. Não sei se a Isabella caiu ou se jogaram a Isabella, não sei o que está acontecendo”, completou.

Polícia diz que 99% do caso Isabella está solucionado
A polícia verá imagens da câmera do prédio vizinho na hora em que a família chegou.
O delegado quer saber também se estranhos entraram pela garagem.

A Polícia Civil de São Paulo informou, nesta quinta-feira (10), que 99% do caso que apura a morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, foram esclarecidos. Os policiais já têm como descobrir se alguma pessoa estranha entrou no Edíficio London na noite em que a garota foi jogada do sexto andar do prédio onde morava seu pai, em 29 de março.

A polícia tenta refazer o horário da chegada da família no prédio a partir das imagens da câmera do prédio vizinho. A polícia que saber também se estranhos entraram pela garagem.
Também será investigado se um sobrado em construção que fica nos fundos do edifício de onde Isabella foi jogada pode ter sido invadido.

Um funcionário que dorme no local de trabalho há sete meses, disse que quando chegou ao sobrado – no dia 30 de março à tarde- percebeu que o portão havia sido arrombado. No muro que divide o terreno do sobrado e do prédio há uma cerca elétrica.

A polícia começará a analisar a lista de telefonemas do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. A quebra de sigilo telefônico foi autorizada pela Justiça. Saber com quem o casal falou antes e depois da morte de Isabella é uma parte importante para desvendar o mistério, de acordo com os policiais.

Conversa com madrasta
Também nesta quinta, a delegada-assistente do 9º DP (Carandiru), Renata Pontes, ouviu Anna Carolina Jatobá. Renata saiu às 13h40 do 89º DP (Portal do Morumbi), onde Anna Carolina está detida, e não deu detalhes da conversa. A policial disse apenas que foi uma conversa de cerca de uma hora e não um depoimento formal. “A gente está esperando os laudos. Antes disso, nada vai se resolver”, disse Renata.

Ao sair do distrito, o advogado Ricardo Martins, que defende a madrasta de Isabella, afirmou apenas que a cliente não foi indiciada. Junto com a delegada estava um investigador, que saiu carregando uma sacola com sapatos que seriam da madrasta de Isabella. Eles não informaram se o calçado será encaminhado para a perícia.

Roupas

A reportagem do Jornal Hoje conversou com exclusividade com o pedreiro que trabalhou no apartamento de Cristiane Nardoni, tia de Isabella. Vandevaldo Melo Gomes prestou depoimento na quarta-feira (9) à polícia e confirmou que as roupas encontradas no apartamento da tia de Isabella são dele e de um eletricista. Nas roupas não foram encontrados vestígios de sangue.

Gomes diz que está abalado com a história e que está sendo chamado de assassino pelos vizinhos. Até os filhos dele estão assustados, afirma. O pedreiro explicou que trabalhava para um empreiteiro chamado Paulo, contratado pelo pai de Alexandre Nardoni para reformar os apartamentos do Edifício London.

Em janeiro, o empreiteiro foi demitido e os ex-empregados continuaram tocando a obra. A demissão, segundo Gomes, foi tranqüila.

Testemunhas

O delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º DP, no Carandiru, onde são feitas as investigações sobre a morte de Isabella, esteve em reunião na manhã desta quinta com o promotor responsável pelo caso, Francisco Cembranelli. Calil Filho chegou à delegacia do Carandiru por volta das 11h30 e não deu detalhes sobre o que foi tratado na reunião.

Ainda nesta quinta, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), outras quatro testemunhas do caso devem ser ouvidas. Entre elas há vizinhos do pai e da madrasta da garota. A SSP também não informou quando os familiares devem ser ouvidos.

Na quarta-feira, a Polícia Civil informou que ainda pretendia ouvir 19 testemunhas no inquérito que investiga a morte de Isabella. Não há previsão de quando as investigações serão concluídas. Nesta quarta, peritos e policiais voltaram ao bairro onde a criança foi encontrada morta.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ) pode julgar, ainda nesta tarde, o pedido de habeas corpus da defesa de Alexandre Nardoni e de Anna Carolina. Segundo a assessoria do TJ, o desembargador que analisa o caso está no interior.

De acordo com um policial civil, ela ficou sabendo da decisão do Tribunal de Justiça por meio de um aparelho de TV ao qual as presas têm acesso dentro da carceragem.

De acordo com a delegada Silvana Françolin, o comunicado da Justiça pode chegar por fax ou através de um oficial de justiça na tarde desta sexta.
Já existe a expectativa de que Ana Carolina só deva deixar o 89º DP no final da tarde. O forte aparato policial preparado para a sua soltura já foi inclusive desmobilizado.

Madrasta de Isabella chora ao saber que será solta

Habeas corpus

A Justiça de São Paulo concedeu a liberdade nesta sexta-feira (11) a Alexandre Nardoni, pai de Isabella, e a Anna Carolina Jatobá, madrasta da criança morta no dia 29 de março em um prédio na Zona Norte da capital.

O pedido de habeas corpus, em caráter liminar, para que o casal acompanhasse as investigações em liberdade, foi deferido pelo desembargador Caio Canguçu de Almeida, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça às 11h30. Mais cedo, os advogados de defesa Marco Pólo Levorin e Ricardo Martins já haviam divulgado a informação.

Na decisão, o desembargador alega que a prisão temporária é uma medida excepcional, tolerada apenas nas hipóteses precisamente fixadas em lei, em casos nos quais os investigados possam comprometer as investigações e a produção de provas. Canguçu argumentou também que Alexandre e Anna Carolina não deram até o momento prova alguma de comprometer, dificultar ou impedir a apuração dos fatos.

De acordo com Canguçu, nem a polícia nem o juiz da primeira instância indicaram argumentos que pudessem caracterizar o comprometimento das investigações. Também foi levado em conta pelo desembargador o fato de o pai e a madrasta de Isabella se apresentarem espontaneamente à polícia, horas depois da decretação da prisão temporária.

A decisão de Canguçu será comunicada ao juiz da 1a. instância do TJ que determinou a prisão temporária, Mauricio Fossen, da 2ª Vara do Júri de São Paulo. Serão expedidos então alvarás de soltura aos distritos em que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá estão detidos desde quinta-feira (3).

O julgamento do mérito (decisão permanente) do habeas corpus costuma ocorrer, em média, 30 dias após a decisão liminar. Na ocasião, a decisão pode ser modificada ao ser julgada por outros dois desembargadores da 4º Câmara Criminal do TJ.

Não representam ameaça

O casal está preso desde a quinta-feira passada (3), após a polícia pedir à Justiça a prisão temporária deles por 30 dias. A defesa fundamentou o pedido de liberdade no argumento de que o pai e a madrasta de Isabella não ameaçam as investigações.

O advogado Marco Polo Levorin afirmou no pedido protocolado na segunda (7) e composto por 30 folhas, que eles não atrapalharam a produção de provas, não coagiram testemunhas tampouco se negaram a comparecer à polícia.

Na terça-feira (8), o promotor que acompanha o caso, Francisco José Taddei Cembranelli, defendeu que a Justiça mantivesse o casal detido pelo período de 30 dias. Para ele, a prisão é necessária para que a dupla não atrapalhe as investigações.

Tanto a polícia quanto a promotoria não fixaram um prazo para a conclusão do inquérito. Entretanto, a delegada-assistente Renata Pontes afirmou na quarta-feira (9) que 70% da cena do crime já foi reconstituída pelos investigadores. Na quinta-feira (10), a Polícia Civil de São Paulo informou que 99% do caso que apura a morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, foram esclarecidos. Os policiais já têm como descobrir se alguma pessoa estranha entrou no Edíficio London.

Ainda de acordo com a delegada, os laudos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML) só devem ser divulgados na semana que vem.

Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella Nardoni, chegou por volta das 15h43 desta sexta-feira (11) ao Instituto Médico-Legal (IML) na região central de São Paulo. Ao sair da delegacia, ela disse aos repórteres:

“Eu não sou assassina”.

Anna Carolina deixou o 89º DP (Portal do Morumbi), Zona Sul da capital, onde ficou presa por oito dias, às 15h24. Ela e o marido, Alexandre Nardoni, pai da menina que morreu na noite de 29 de março ao cair de um prédio na Zona Norte, tiveram pela manhã o pedido de habeas corpus concedido pela Justiça. Como Alexandre, após deixar a delegacia, Anna Carolina seguiu para o Instituto Médico-Legal (IML) para passar por exame de corpo de delito.

A saída de Anna Carolina foi marcada por muito tumulto. Jornalistas e moradores da região se aglomeraram na porta da delegacia para acompanhar o momento em que a jovem de 24 anos seria solta. Ela foi xingada por vários curiosos. Além disso, um forte aparato policial foi montado, com a participação de policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE), que conduziram Anna Carolina para o IML. Diferente do marido, a madrasta de Isabella saiu da delegacia sem cobrir o rosto.

Ela e Nardoni tiveram a prisão temporária decretada por 30 dias em 2 de abril por suspeita de envolvimento na morte da menina. Às 13h35, o fax com o pedido de soltura de Anna Carolina chegou à delegacia. Pela manhã, ela chorou ao saber pela televisão que teve o pedido de habeas corpus concedido. A TV fica em uma área comum dentro da carceragem do 89º DP.

Saída de Alexandre

Alexandre Nardoni, deixou a carceragem do 77º Distrito Policial, de Santa Cecília, no Centro de São Paulo, por volta das 14h30.

Ele saiu na parte traseira do carro da polícia. Dois carros da polícia saíram na contramão da Alameda Glete e outros dois saíram pela direita, mão da rua. Algumas pessoas que estavam no local, bateram nos veículos.

Houve uma tentativa de despiste por parte da polícia que simulou a saída de Alexandre Nardoni por uma das duas portas do 77º DP. Inicialmente, um policial enrolado em um cobertor foi retirado por uma das saídas, o que provocou correria, tanto entre a imprensa quanto entre os curiosos no local. Na saída desse carro, algumas pessoas que acompanhavam a movimentação deram socos no veículo.

Instantes depois, o verdadeiro Nardoni deixou a delegacia pela saída do lado esquerdo, também enrolado em um cobertor. O delegado titular do 77º DP, Albano Fernandes disse que Nardoni estava assustado com os gritos que vinham da porta da delegacia que pediam “justiça”. De acordo com o delegado, ele recebeu bem a notícia da liberdade e não emitiu comentários a respeito.

Habeas corpus

O pedido de habeas corpus, em caráter liminar, para que o casal acompanhasse as investigações em liberdade, foi deferido pelo desembargador Caio Canguçu de Almeida, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. O desembargador considerou que o casal não deu provas de comprometer, dificultar ou impedir a apuração dos fatos. Também foi levado em conta pelo desembargador o fato de o pai e a madrasta de Isabella se apresentarem espontaneamente à polícia, horas depois da decretação da prisão temporária.

O julgamento do mérito (decisão permanente) do habeas corpus costuma ocorrer, em média, 30 dias após a decisão liminar. Na ocasião, a decisão pode ser modificada ao ser julgada por outros dois desembargadores da 4º Câmara Criminal do TJ.

Na terça-feira (8), o promotor que acompanha o caso, Francisco José Taddei Cembranelli, defendeu que a Justiça mantivesse o casal detido pelo período de 30 dias. Para ele, a prisão é necessária para que a dupla não atrapalhe as investigações.

Tanto a polícia quanto a promotoria não fixaram um prazo para a conclusão do inquérito. Entretanto, a polícia considera que 99% da cena do crime já foi reconstituída pelos investigadores. Na quinta-feira (10), a Polícia Civil de São Paulo informou que 99% do caso que apura a morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, foram esclarecidos. Os policiais já têm como descobrir se alguma pessoa estranha entrou no Edíficio London.

Ainda de acordo com a delegada, os laudos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML) só devem ser divulgados na semana que vem.

Avô de Isabella diz que casal não brigou na noite do crime

Pai de Alexandre afirma que briga seria de outro apartamento na região.
Promotor Francisco Cembranelli disse que várias testemunhas relataram gritos.
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, não discutiram nem brigaram na noite em que a menina foi jogada do 6º andar de um prédio da Zona Norte de São Paulo, segundo afirma Antônio Nardoni, pai de Alexandre. Em entrevista exclusiva ao Fantástico, ele contesta a afirmação do promotor Francisco Cembranelli, indicado pelo Ministério Público para acompanhar o caso. Na sexta (11), Cembranelli afirmou que horas antes do crime, vizinhos ouviram uma violenta briga entre o casal.

“Não houve briga, eu tenho absoluta certeza, se alguém está dizendo que ouviu briga deve ter ouvido em algum dos prédios em volta e pode ter tido a impressão que fosse lá, mas com absoluta certeza não teve nada disso”, disse o avô de Isabella.
Antônio Nardoni afirmou ainda que o comportamento do casal foi normal quando não acionou imediatamente o Resgate ao perceber que algo errado aconteceu com Isabella. “Talvez as pessoas estranhem esse tipo de comportamento, mas nós temos uma regra dentro de casa. Quando temos algum problema, um liga para o outro primeiro. Ocorreu um fato grave, a primeira preocupação foi avisar e avisar no sentido de pedir ajuda, para correr para ajudar”, disse.

Naquela noite, quem fez a ligação foi a nora, a madrasta de Isabella. “Ela estava muito nervosa, falando muito alto e dizendo que tinha acontecido alguma coisa com a Isabella, que dava a impressão de que a Isabella tinha caído ou tinha sido jogada, porque ela dizia alguma coisa nesse sentido. Eu só perguntei como ela repetiu mais ou menos a mesma coisa. A partir daí eu desliguei o telefone e saí correndo para lá. Fui um dos primeiros a chegar lá”, afirmou.

Logo depois chegou a filha de Antonio Nardoni, Cristiane, a irmã de Alexandre. Ela estava num restaurante quando o pai ligou para avisar sobre o ocorrido. Antônio não acredita que, depois do telefonema, Cristiane tenha dito algo que comprometesse o irmão. “Até porque ela não sabia exatamente o que tinha acontecido, ela só sabia que aconteceu algo grave, mas não sabia exatamente o quê.”

Apartamento será vendido

Antônio confirma que esteve no apartamento, acompanhado de parentes, no dia seguinte ao crime, mas afirma que a passagem foi rápida e apenas para buscar roupas para as crianças. “Pegamos a roupa, saímos, não demoramos muito”, disse. Os Nardoni não querem mais vínculo algum com o prédio que traz profundas e dolorosas lembranças para a família. Os dois apartamentos que a família Nardoni têm no sexto andar serão vendidos.

A principal expectativa agora é em relação aos laudos, que Antônio espera que comprovem a inocência do casal. Ele afirma que o filho e a nora não teriam motivação para cometer o crime. “O que eu espero realmente é que os laudos cheguem para que a gente possa realmente pôr um fim a nisso. A partir disso ver se a gente consegue recuperar a nossa vida.”

A polícia não crê em versão ‘idêntica’ do casal

A polícia de São Paulo não acredita na versão de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá para explicar a morte da menina Isabella, de 5 anos, no mês passado, em um prédio da zona norte da capital paulista. Conforme a transcrição da íntegra dos depoimentos, revelada na edição desta terça-feira do jornal O Estado de S. Paulo, a polícia descarta o envolvimento de uma terceira pessoa no caso e não compra a explicação idêntica apresentada por Nardoni e Anna.

“Alexandre e Anna, os quais em tudo concordam e possuem a mesma opinião acerca do ocorrido, não apresentaram em momento algum qualquer dúvida, questionamento, sensação de estranheza diante das circunstâncias da cena do crime, diferentemente de todas as demais pessoas”, escreveu a delegada-assistente Renata Helena da Silva Pontes sobre o crime. Conforme o Estado, a polícia não tem dúvidas de que o casal é responsável pela morte da menina Isabella.

Os depoimentos indicam que a versão do casal — de que alguém entrou no apartamento e jogou Isabella pela janela enquanto voltavam da garagem — não faz sentido. Com as informações apresentadas por vizinhos e funcionários, a explicação caiu por terra. Anna confessou ter tido problemas com a mãe de Isabella, mas afirmou que a relação com Isabella era “ótima”. Sobre a participação de uma terceira pessoa, a polícia diz que a suspeita “não tem qualquer coerência”.

A pegada - Ainda segundo o Estado, os peritos do Instituto de Criminalística concluíram a pegada no lençol do quarto de onde Isabella foi jogada — um dos elementos mais importantes da investigação — é compatível com um sapato de Anna Carolina Jatobá. Além da pegada, são estudadas as manchas de sangue no lençol e em duas peças de roupa da madrasta. Peritos do IC e do Instituto Médico Legal (IML) se reúnem na quarta-feira para discutir o texto do laudo final.

Para polícia, madrasta bateu em Isabella e pai jogou menina pela janela

Para a Polícia Civil de São Paulo e para o Ministério Público Estadual não há mais dúvidas: a menina Isabella Nardoni, 5, foi atirada do sexto andar do Edifício London, na noite de 29 de março, por seu pai, o estagiário de direito Alexandre Alves Nardoni, 29.

Com base em dados preliminares elaborados por peritos do IC (Instituto de Criminalística) e de legistas do IML (Instituto Médico Legal), os delegados e investigadores do 9º DP (Carandiru) responsáveis pelo esclarecimento do assassinato da criança também têm outra convicção: Nardoni jogou a filha do seu apartamento após a madrasta da menina, Anna Carolina Trotta Jatobá, 24, ter tentado asfixiá-la.

Nas próximas horas, os responsáveis pelo caso pedirão à Justiça a prisão preventiva do casal. O juiz do 2º Tribunal do Júri, Maurício Fossen, o mesmo que decretou no começo do mês a prisão temporária –por 30 dias– de Nardoni e de Anna, será o responsável pela análise do pedido da preventiva, já com base nas individualizações das ações de cada um na morte de Isabella.

Para peritos, legistas, investigadores e delegados, as agressões de Anna contra Isabella naquela noite de 29 de março fizeram com que ela desfalecesse, passando a impressão de que ela havia morrido. Na seqüência, ainda na interpretação dos responsáveis pelo caso, Nardoni a jogou pela janela e começou a tentar simular a invasão de seu apartamento.

Até o final da tarde desta terça, o advogado do casal Marco Polo Levorin não havia sido localizado pela reportagem para manifestar-se sobre a individualização do crime, segundo a polícia.

O relatório que a polícia irá apresentar à Justiça para o pedido da prisão preventiva do casal já está praticamente pronto. Somente os espaços para a indicação e descrição de cada um dos laudos que ajudaram a polícia a formar a convicção contra Nardoni e Anna estão em branco no documento.

Um dos laudos mais aguardados é o que apontará que, no momento em que Isabella foi jogada do apartamento do pai, tanto Nardoni quanto Anna estavam no local.

Outro documento dos peritos do IC será usado pelos policiais para afirmar à Justiça que Nardoni carregou Isabella no colo dentro do seu apartamento, após ela ter sofrido as agressões por parte da madrasta e ficar com um corte de aproximadamente dois centímetros na testa. A posição das gotas de sangue nos diversos cômodos do lugar dirão aos policiais qual o trajeto do pai com a menina no colo.
Laudo conclui que sangue em apartamento é de Isabella
TV Globo teve acesso a um dos laudos do caso na noite desta quarta-feira (16).
Pai, madrasta avô e tia de menina foram intimados a depor na sexta-feira e no sábado.

A TV Globo teve acesso, no início da noite desta quarta-feira (16), a um dos laudos do caso Isabella Nardoni que constata que o sangue encontrado no apartamento do 6º andar do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo, é mesmo da menina de 5 anos.

Também nesta quarta, o advogado Marco Polo Levorin informou que será atendido o pedido da Polícia Civil para um novo depoimento do pai e da madrasta da menina Isabella Nardoni, de 5 anos. Eles foram intimados nesta tarde a depor no 9º Distrito Policial, no Carandiru, na Zona Norte de São Paulo, na sexta-feira (18). Ainda não se sabe o horário dos depoimentos, que ocorrerão no mesmo dia em que a garota completaria 6 anos.

Além do casal, o pai de Alexandre, Antônio Nardoni, e a tia de Isabella, Cristiane, também foram intimados a depor, só que na tarde de sábado (19). Também nesta quarta, os advogados do pai e da madrasta de Isabella, que permaneceram por quase quatro horas no 9º Distrito de Polícia, disseram ter acompanhado o depoimento de duas testemunhas indicadas pela defesa do casal à polícia.

“Essas testemunhas vêm comprovar: primeiro, a vulnerabilidade do Edifício London; segundo, vêm comprovar a perda das chaves [do apartamento] pela Anna Carolina e pelo Alexandre Nardoni e, terceiro, demonstrar que alguns de seus apartamentos ficavam abertos e expostos a qualquer um que quisesse entrar”, disse o advogado Ricardo Martins.
De acordo com o advogado, as testemunhas ouvidas pela polícia prestam serviços no prédio - uma delas seria a corretora que vendeu o imóvel onde Alexandre Nardoni e Anna Carolina moravam e a outra seria uma comerciante que vendeu os móveis da casa para o casal. Uma dessas testemunhas, segundo o advogado, teria estado no prédio no dia do crime.

Nesta quarta-feira, não estão marcados novos depoimentos, segundo informou a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Entretanto, se a defesa apresentar outras testemunhas, elas podem ser ouvidas.

Os advogados evitaram comentar detalhes da apuração da perícia, como, por exemplo, a suposta presença de um terceiro suspeito no apartamento, argumentando que os laudos do Instituto de Criminalística ainda não foram concluídos. “É perfeitamente possível ter havido uma terceira pessoa, uma quarta, uma quinta pessoa que eventualmente pudesse haver ocasionado esse delito”, acrescentou Ricardo Martins.

Delegado confirma indiciamento de pai e de madrasta de Isabella
O pai e a madrasta de Isabella Nardoni sairão do 9º DP (Carandiru) indiciados pela morte da menina, afirmou no início da noite desta sexta-feira o delegado Aldo Galiano Júnior, diretor do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital). Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá estão na delegacia desde a manhã de hoje para prestar o segundo depoimento desde que o assassinato da criança, em 29 de março último.

Com o indiciamento, eles se tornam oficialmente suspeitos da morte da menina. Reportagem de André Caramante, da Folha, publicada na Folha Online na última terça-feira (15) revelou que, para a Polícia Civil e para o Ministério Público, Alexandre jogou a filha de seu apartamento –no sexto andar– após Anna Carolina ter tentado asfixiá-la.

Isabella, que passava o fim de semana com o pai e com a madrasta, foi jogada do sexto andar de um prédio –na zona norte de São Paulo. O indiciamento ocorre no dia em que Isabella completaria seis anos.

Galiano Júnior, no entanto, não detalhou a participação de Alexandre e de Anna Carolina no crime. “O caso está praticamente solucionado”, afirmou. “Os dois serão indiciados por homicídio, artigo 121, e as qualificadoras serão discutidas com a autoridade policial que preside o inquérito. Peço compreensão quanto ao sigilo.”

Alexandre e Anna Carolina ainda podem ser submetidos a uma acareação. Galiano Júnior confirmou que a prisão preventiva do casal, supostamente o próximo passo a ser dado, não será pedida à Justiça ainda nesta sexta-feira. “Para se fazer uma preventiva, tem que se reunir uma documentação, não é assim. Ela precisa ir bem embasada, não é o momento. De forma alguma ela será pedida hoje.”

Para a Polícia Civil, a madrasta agrediu Isabella e, na seqüência, Alexandre cortou a grade de proteção de uma janela de seu apartamento e jogou a menina. Desde o início das investigações, o casal nega as acusações e diz que uma terceira pessoa, provavelmente um criminoso, foi o autor do assassinato.

Alexandre e Anna Carolina chegaram à delegacia por volta das 11h. Ele começou a ser ouvido por volta das 11h30 e, pouco depois das 19h, os delegados fizeram uma pausa para lanche. Os trabalhos foram retomados por volta das 19h45, quando Alexandre assinou o depoimento e foi indiciado.

Durante todo o dia, Anna Carolina permaneceu em uma sala com o sogro, Antonio Nardoni, e um investigador. Ela dormiu por algumas horas, comeu um pão e bebeu um achocolatado, mas recusou um pedaço de pizza. Ela também tinha à disposição bolachas salgadas e doces.

De acordo com Galiano Júnior, o depoimento da madrasta da menina –iniciado após o de Alexandre– deverá ser mais longo.

“Crueldade”
Alexandre e Anna Carolina foram levados ao 9º DP para prestar depoimento na manhã desta sexta, sob forte esquema de segurança e sob a presença maciça da imprensa e de curiosos que chamavam os dois de “assassinos”.

O casal teve dificuldade para deixar a casa dos pais de Alexandre, também na zona norte. Eles tentaram deixar o imóvel por volta das 10h25. No entanto, devido à confusão, recuaram e aguardaram a chegada de policiais civis do GOE (Grupo de Operações Especiais). Policiais militares foram obrigados a montar um cordão de isolamento em frente ao imóvel.

Alexandre e Anna Carolina, que sairiam em carro particular, deixaram a casa protegidos por escudos da polícia e seguiram em direção à delegacia em um veículo do GOE, sob gritos de “assassinos”. Em frente à delegacia, apesar do forte esquema de segurança montado, um grupo de manifestantes aguardava a chegada do casal, também recebido com gritos de “assassinos”.

Pela manhã, um dos advogados da família disse que a família “está sendo julgada com crueldade”. “Não julguem para não serem julgados”, afirmou Ricardo Martins.

Ele considerou “humilhante” e “desesperador” o fato de a família Nardoni ter sido obrigada a contratar três seguranças para poder “dormir em paz”

Isabella

Nesta sexta, quando Isabella completaria seis anos, familiares visitaram o túmulo da menina, no cemitério Parque dos Pinheiros, também na região norte de São Paulo. Pela manhã, a mãe, Ana Carolina Cunha de Oliveira, esteve no local. À tarde, os avós e um tio foram ao cemitério. Além deles, anônimos prestaram homenagens à criança.

Uma cerimônia também foi realizada no Cantinho da Alegria, unidade onde a menina estudou. Crianças, acompanhadas dos pais, rezaram e cantaram músicas religiosas.

Fontes: G1, Folha Online e Veja Online

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